Enquanto escrevo,
Enquanto labuto,
Descubro,
Sozinho,
Que estou a um passo,
De mais longe estar
Do meu tesouro,
Do meu encosto.
Será?
Que condenado eu sou,
A esculpir de novo,
Um suicídio do outro,
Daquele outro,
Daqueles outros.
Será?
Tudo isso em vão,
Que tudo irá ao chão,
Quando no fim chegar?
Será?
Eu um pleonasmo?
Eu um dos viciosos?
Eu uma anáfora?
Eu uma gradação?
Sou eu,
Um copião?
Será?
Vitor Vieira
terça-feira, 1 de junho de 2010
Sem querer,
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Conjugação da humaninade
Eu sou erro
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
sábado, 10 de abril de 2010
Entre borboletas e pedrinhas- parte 1
Escuridão. Passados alguns instantes, um feixe de luz aparece no lado direito do palco, Uma garotinha surge. Ela senta-se calmamente no chão, tira algumas pedrinhas do bolso e começa a brincar com elas, inocentemente. Um garoto aparece em cena. Ele vai para o lado da menina. Ela olha para o garoto, dá um sorriso puro e volta a brincar com as pedrinhas. O menino senta-se ao lado da menina e observa a brincadeira. Ela para e o abraça. Ela sorri. O clima é solitário. Somente há um feixe de luz, o restante do palco está ás escuras.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Seria tão bom
Tão seria bom,
Se fosse pluma,
Viajar em vias incertas,
Sem maldades criar,
Sem de problemas sair,
Único,
Plume-AR.
Tanto quanto bom,
Seria ganso,
E não perderia jamais,
O senso da vida,
E na hora certa,
Seguiria pro céu,
Pro céu.
E melhor mais fosse,
Seria dog,
Confiaria no meu bom,
Velho conselho,
Teria amigos,
Mesmo que restasse,
Seria um só,
Mas amigo.
Certo seria feliz,
Seria lágrima,
Que escorre lenta e sal,
No rosto da mulher,
Moça, menina,
Limpando o grume da dor.
Ah...
Seria bom,
seria seu,
Seria todo e inteiro,
Meu
Som que entra,
E lá fica
Quietinho,
Cantando.
Doce, leve doce,
Seria beijo,
Marcado no meu ser,
Ligado sem ter,
Nenhum louco-amor,
Unido em ti.
...
Não,
Talvez não.
A vida não é um soneto,
Brinca quem pode,
Perde quem se excede,
Seria ponto,
Que encerra a canção,
Fura-coração.
Seria estrada,
Mergulhada no sem rumo,
Na encruzilhada da manhã,
Sentado no banco,
Olhando pombos.
Seria flor,
Aberto ao cerne da sina,
Na vil esperança,
De ser arvore,
Eterna na eternidade de Deus.
Seria tão bom,
...
Que feliz eu fosse,
Em simples ser,
Eu.
...
Não seria angustia,
Não seria fome,
a morte do zero das almas,
Perdão dos massacrados,
Que na busca,
Seriam,
São,
Borrões.
Se fosse pluma,
Viajar em vias incertas,
Sem maldades criar,
Sem de problemas sair,
Único,
Plume-AR.
Tanto quanto bom,
Seria ganso,
E não perderia jamais,
O senso da vida,
E na hora certa,
Seguiria pro céu,
Pro céu.
E melhor mais fosse,
Seria dog,
Confiaria no meu bom,
Velho conselho,
Teria amigos,
Mesmo que restasse,
Seria um só,
Mas amigo.
Certo seria feliz,
Seria lágrima,
Que escorre lenta e sal,
No rosto da mulher,
Moça, menina,
Limpando o grume da dor.
Ah...
Seria bom,
seria seu,
Seria todo e inteiro,
Meu
Som que entra,
E lá fica
Quietinho,
Cantando.
Doce, leve doce,
Seria beijo,
Marcado no meu ser,
Ligado sem ter,
Nenhum louco-amor,
Unido em ti.
...
Não,
Talvez não.
A vida não é um soneto,
Brinca quem pode,
Perde quem se excede,
Seria ponto,
Que encerra a canção,
Fura-coração.
Seria estrada,
Mergulhada no sem rumo,
Na encruzilhada da manhã,
Sentado no banco,
Olhando pombos.
Seria flor,
Aberto ao cerne da sina,
Na vil esperança,
De ser arvore,
Eterna na eternidade de Deus.
Seria tão bom,
...
Que feliz eu fosse,
Em simples ser,
Eu.
...
Não seria angustia,
Não seria fome,
a morte do zero das almas,
Perdão dos massacrados,
Que na busca,
Seriam,
São,
Borrões.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Perdido
Ninguém sabe o paradeiro,
daquele jovem desbotado,
que um dia já sonhou,
num mundo dele,
inteiro dele.
Como sofre a brisa,
lambendo galhos ocos,
sem vida,
taciturnos e negros,
grandes pestanas apavoradas.
Liras e canhões,
flores e sermões,
de que adiantam,
se cego ele vê,
trovas escancaradas.
Um tom?
Só som?
Seria dom?
Caindo em sua avareza,
ele vai
ele vai,
se perder.
Não olhe,
não veja,
não sussurros?
Sim... Aplausos.
Uma carência eloquente,
que salivante exaspera,
maravilhas de um reino tão...
tão...
tão...
abastado.
Mendicante lhe resta ficar,
ouro, prata e vitória.
Riso, claro! Memória.
Sim
Ele vai se perder.
Vitor Araújo
daquele jovem desbotado,
que um dia já sonhou,
num mundo dele,
inteiro dele.
Como sofre a brisa,
lambendo galhos ocos,
sem vida,
taciturnos e negros,
grandes pestanas apavoradas.
Liras e canhões,
flores e sermões,
de que adiantam,
se cego ele vê,
trovas escancaradas.
Um tom?
Só som?
Seria dom?
Caindo em sua avareza,
ele vai
ele vai,
se perder.
Não olhe,
não veja,
não sussurros?
Sim... Aplausos.
Uma carência eloquente,
que salivante exaspera,
maravilhas de um reino tão...
tão...
tão...
abastado.
Mendicante lhe resta ficar,
ouro, prata e vitória.
Riso, claro! Memória.
Sim
Ele vai se perder.
Vitor Araújo
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