Pessoas que choram sozinhas
Que choram na praça,
Que choram no ônibus,
Que choram no carro,
Que choram em casa,
Que choram na rua,
Que choram no bar.
Que choram na calçada,
Que choram no asfalto,
Que choram na sombra,
Que choram sem ar.
Pessoas tristes,
Pessoas felizes,
Pessoas casadas,
Pessoas em pessoas.
Pessoas que choram com outras,
Que choram no sofá,
Que choram na cama,
Que choram na mesa,
Que choram em amar.
Pessoas altas,
Pessoas falsas,
Pessoas castas,
Pessoas sem par.
Pessoas que choram por outras,
Que choram por si,
Que choram por mim,
Que choram por ti.
Pessoas que choram na TV,
Que choram com você,
Que choram até amanhecer,
Que choram pra viver,
Que choram sem pra quê.
Que choram no ar,
Que choram no fim,
Que choram no começo,
Que choram no meio,
Que choram no clímax,
Que choram sem preço.
Pessoas que amam,
Sim, pessoas que choram,
Pessoas no infinito,
Num finito de pessoas.
terça-feira, 20 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Preguiça
Braços e pernas,
Mãos e pés,
Joelhos e pescoço,
Boca,nariz e orelhas,
Um corpo inteiro,
Sentado e escrevendo,
Sua gula exercitando.
Ai,
Essas nuvens não passam,
E o tempo goteja,
E o mundo cá explode,
Que coisa,
A preguiça não deixa.
Preguiça de sair,
De cantar,
De voar,
Devagar,
De comer,
De viver,
De sorrir,
De dormir,
Preguiça,
De ter preguiça.
E nisso há certeza.
Paro agora,
Ai,
A preguiça não deixa.
Mãos e pés,
Joelhos e pescoço,
Boca,nariz e orelhas,
Um corpo inteiro,
Sentado e escrevendo,
Sua gula exercitando.
Ai,
Essas nuvens não passam,
E o tempo goteja,
E o mundo cá explode,
Que coisa,
A preguiça não deixa.
Preguiça de sair,
De cantar,
De voar,
Devagar,
De comer,
De viver,
De sorrir,
De dormir,
Preguiça,
De ter preguiça.
E nisso há certeza.
Paro agora,
Ai,
A preguiça não deixa.
Giz
Uma forma,
Que desforma,
E torna,
Mais belo meu tear?
Que mensagens,
Esta viagem,
Nas mãos dum pajem,
Irão levar?
Uma foto,
Um foco,
Num bloco,
De papel branco,
Branco com,
Um papel branco.
Este lápis,
Dão as pazes,
Entre o fígado,
E o ar.
Rastro fraco,
Chato traço,
Ligo e faço,
Um belo torto mar.
E num giz
De cera sujo,
Sujam o papel,
Branco,
Branco papel.
Que desforma,
E torna,
Mais belo meu tear?
Que mensagens,
Esta viagem,
Nas mãos dum pajem,
Irão levar?
Uma foto,
Um foco,
Num bloco,
De papel branco,
Branco com,
Um papel branco.
Este lápis,
Dão as pazes,
Entre o fígado,
E o ar.
Rastro fraco,
Chato traço,
Ligo e faço,
Um belo torto mar.
E num giz
De cera sujo,
Sujam o papel,
Branco,
Branco papel.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Enquanto escrevo,
Enquanto labuto,
Descubro,
Sozinho,
Que estou a um passo,
De mais longe estar
Do meu tesouro,
Do meu encosto.
Será?
Que condenado eu sou,
A esculpir de novo,
Um suicídio do outro,
Daquele outro,
Daqueles outros.
Será?
Tudo isso em vão,
Que tudo irá ao chão,
Quando no fim chegar?
Será?
Eu um pleonasmo?
Eu um dos viciosos?
Eu uma anáfora?
Eu uma gradação?
Sou eu,
Um copião?
Será?
Vitor Vieira
Enquanto labuto,
Descubro,
Sozinho,
Que estou a um passo,
De mais longe estar
Do meu tesouro,
Do meu encosto.
Será?
Que condenado eu sou,
A esculpir de novo,
Um suicídio do outro,
Daquele outro,
Daqueles outros.
Será?
Tudo isso em vão,
Que tudo irá ao chão,
Quando no fim chegar?
Será?
Eu um pleonasmo?
Eu um dos viciosos?
Eu uma anáfora?
Eu uma gradação?
Sou eu,
Um copião?
Será?
Vitor Vieira
Sem querer,
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Conjugação da humaninade
Eu sou erro
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
sábado, 10 de abril de 2010
Entre borboletas e pedrinhas- parte 1
Escuridão. Passados alguns instantes, um feixe de luz aparece no lado direito do palco, Uma garotinha surge. Ela senta-se calmamente no chão, tira algumas pedrinhas do bolso e começa a brincar com elas, inocentemente. Um garoto aparece em cena. Ele vai para o lado da menina. Ela olha para o garoto, dá um sorriso puro e volta a brincar com as pedrinhas. O menino senta-se ao lado da menina e observa a brincadeira. Ela para e o abraça. Ela sorri. O clima é solitário. Somente há um feixe de luz, o restante do palco está ás escuras.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
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