sábado, 10 de abril de 2010

Entre borboletas e pedrinhas- parte 1

Escuridão. Passados alguns instantes, um feixe de luz aparece no lado direito do palco, Uma garotinha surge. Ela senta-se calmamente no chão, tira algumas pedrinhas do bolso e começa a brincar com elas, inocentemente. Um garoto aparece em cena. Ele vai para o lado da menina. Ela olha para o garoto, dá um sorriso puro e volta a brincar com as pedrinhas. O menino senta-se ao lado da menina e observa a brincadeira. Ela para e o abraça. Ela sorri. O clima é solitário. Somente há um feixe de luz, o restante do palco está ás escuras.

Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.

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