segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Foco

Olhos de vitrine,
Sem pudor, sem crime,
Que só perdem,
E perseguem,
A toda uma vida.

Olhos que não pedem,
Que recebem,
E divergem,
Do seu foco.

Olhos loucos,
Que não são poucos,
E consomem,
Por dentro o homem,
Inteiro homem.

Olhos em praças,
Nas desgraças,
Dessa vida,
Vitrinada e amada.

Olhos que distorcem,
Que contorcem,
E não podem,
Comer-me.

Por que estou,
Do outro lado,
Da retina,
Desse osculo,
Espelhado.

E daqui eu posso ver,
Que eu,
Que você,
Somos olhos de vitrine.

Vitor Vieira.

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