Em quais respostas eu devo confiar?
Sem intuitivamente ficar cego, louco...
Em que curva eu devo me despejar,
e derramar aquilo que mais puro é meu?
Graus, cantos e fórmulas...
Não me servem, não me atendem,
de maneira que o chão desabe,
e as brasas queimem,
mais e mais,
Num rodopio incandescente e em negativo.
Brasas que me sorvam e derretam,
meu coração e minha pálpebras.
Já é tarde.
Vertiginosas metamorfoses
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Coisas que eu sei
Coisas que eu sei,
Que não voltariam para me abraçar,
e escalar meus desejos.
Olhar meus desenhos, tu diz: que lindos!
Numa profusão infinita de ilusão.
Coisas que eu sei,
que faltam no íntimo espeço entre o mar e minha pele,
entre o sol inebriante do teu sorriso,
que me assola nas noites esquecidas.
Coisas que esqueci,
de achar, de ver, de sorrir...
Tua presença inexata ao fim da rua,
Calor devagar, longo e pálido.
Coisas suas,
até o fim.
Vitor Vieira
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Às 23:34...
Este céu nublado,
É como para me barrar,
Neste sonho tão promíscuo,
Que eu quero me entregar.
Desejo ver por entre as nuvens,
O rosto de quem luto para esquecer,
Mas não vejo, não posso,
Dele me desfazer.
Preciso que alguém venha,
E me tire deste lugar,
Tão calmo, tão solto,
Venha, que não tema em me amar.
Esquece teu corpo ao meu lado,
E esvazia tua mente inteira,
Por que sozinho sei que estou,
Deitado mesmo que não queira.
Sofrer este frio,
Que sopra longe, cá no meu ouvido,
Vivendo esta noite cheia,
De mentira: uma paixão.
Vitor Vieira
terça-feira, 19 de julho de 2011
Pecado
Cai em pecado,
Grude pecado,
Aonde vou,
Aonde passo,
Sempre que falo.
Das fendas impuras,
Retirei orgulhosos pombos,
Cheios de penas vivas,
Doentias,
Asas que não voam.
Por isso, cai em pecado,
Grude pecado,
De falar além de mim,
Além do além,
Sem piedade.
Visceral,
Costume,
E preguiça.
Vida que não ferve,
Onde padeço,
Por culpa,
Tão só,
Minha.
Faltando pedaços,
De torpes e ínfimas ilusões,
Que poderiam aqui pairar,
Sobre minhas paciências,
Já tão desgastadas.
Juro,
Emocionadamente juro,
Não queria fazê-lo,
Queria só tê-lo,
Comedido,
Pecado de ser.
Alguém.
Grude pecado,
Aonde vou,
Aonde passo,
Sempre que falo.
Das fendas impuras,
Retirei orgulhosos pombos,
Cheios de penas vivas,
Doentias,
Asas que não voam.
Por isso, cai em pecado,
Grude pecado,
De falar além de mim,
Além do além,
Sem piedade.
Visceral,
Costume,
E preguiça.
Vida que não ferve,
Onde padeço,
Por culpa,
Tão só,
Minha.
Faltando pedaços,
De torpes e ínfimas ilusões,
Que poderiam aqui pairar,
Sobre minhas paciências,
Já tão desgastadas.
Juro,
Emocionadamente juro,
Não queria fazê-lo,
Queria só tê-lo,
Comedido,
Pecado de ser.
Alguém.
outra vez
Por mais que tentasse, não conseguia extinguir aquela angústia encarnada. Que teria feito? Não, essa não é a pergunta verdadeira. O que fazia ali? talvez.
Decide que a solução estava não tão distante de onde morava. A secular alcova de cansados e perdidos. Estava mentindo, por isso precisava dela, ou melhor, Dele, o Pai do nascer ao fim. Caminho fácil que surpreende por fazer suar, respirar. Se encontrasse suas soluções no caminho, sorriria e voltaria para casa ou para céu. Não encontrou. Continuou. Sempre observou as crianças do caminho, as pedras do caminho, os galhos do caminho, os cachorros do caminho. Fazia isso porque sentia que missão não estava no fim, mas no meio.
Decide que a solução estava não tão distante de onde morava. A secular alcova de cansados e perdidos. Estava mentindo, por isso precisava dela, ou melhor, Dele, o Pai do nascer ao fim. Caminho fácil que surpreende por fazer suar, respirar. Se encontrasse suas soluções no caminho, sorriria e voltaria para casa ou para céu. Não encontrou. Continuou. Sempre observou as crianças do caminho, as pedras do caminho, os galhos do caminho, os cachorros do caminho. Fazia isso porque sentia que missão não estava no fim, mas no meio.
domingo, 12 de junho de 2011
pseudo vida
A quem pertence a verdadeira culpa? Serão os princípios deterministas de Taine ou a indômita e insensível força da pura mal caratice? Não se sabe. Contudo, o conflito “psicotrágico” que sucedeu aquela descoberta infeliz, mas inevitável, proporcionou um outro descobrimento: o mundo vil e luxurioso da ilusão amorosa.
Pesquisas feitas por estudiosos indiscretos mostraram que é da natureza humana: trair, enganar, mentir e buscar sempre o caminho mais fácil. E isto pode ser comprovado visceralmente por indivíduos ingênuos e naturalmente retardados. Para que isso ocorra, não se precisa de muito, apenas uma bela moça, de longos cabelos mechados, seios fartos e um discreto sorriso. Uma malícia. Os homens que realmente usufruem do bálsamo feminino são os indivíduos mais atingidos por tal monumento vivo e atroz. Estas meras presas não tem chance, quando a fêmea em questão, tem o desejo espontâneo em fazer o mal. Leonardo Leal, 23 anos, é um exemplo claro dessa mazela. Em 03 de abril de 2009, conheceu Natália, mulher com características já citadas. Entre os dois houve um relacionamento. Início da utopia.
Este casal gozou de muitas atividades deliciosas, comuns a casais amantes e românticos. Passeios, presentes e restaurantes caros, ou seja, muito dinheiro gasto por Leonardo, obviamente, no intuito de agradar seu “affair”. Entretanto, a beleza dessa situação não poderia durar. Justamente no ápice da paixão de Leonardo, momento em que nada mais importa, a luz rosada que o encobria turvou-se e transformou-se em breu. Noite de sábado, balada psicodélica, duas taças na mão e uma aliança no bolso. Um lapso: uma meretriz encrustada em braços indecentes de outrem.
A conclusão que se pode ter é um rapaz destruído, de olhar perplexo e encharcado, uma revolução “psicotrágica” desenrola-se e ganha força em situações come estas. Em casos como este, faz-se necessário a presença constante de antidepressivos e soníferos. De fato, a desilusão desnorteada e quase personificada é uma companhia triste, de braços cruzados. Como renascer e matar são opções pouco adequadas, esquecer é a saída mais eficaz, ainda que ilusória.
Pesquisas feitas por estudiosos indiscretos mostraram que é da natureza humana: trair, enganar, mentir e buscar sempre o caminho mais fácil. E isto pode ser comprovado visceralmente por indivíduos ingênuos e naturalmente retardados. Para que isso ocorra, não se precisa de muito, apenas uma bela moça, de longos cabelos mechados, seios fartos e um discreto sorriso. Uma malícia. Os homens que realmente usufruem do bálsamo feminino são os indivíduos mais atingidos por tal monumento vivo e atroz. Estas meras presas não tem chance, quando a fêmea em questão, tem o desejo espontâneo em fazer o mal. Leonardo Leal, 23 anos, é um exemplo claro dessa mazela. Em 03 de abril de 2009, conheceu Natália, mulher com características já citadas. Entre os dois houve um relacionamento. Início da utopia.
Este casal gozou de muitas atividades deliciosas, comuns a casais amantes e românticos. Passeios, presentes e restaurantes caros, ou seja, muito dinheiro gasto por Leonardo, obviamente, no intuito de agradar seu “affair”. Entretanto, a beleza dessa situação não poderia durar. Justamente no ápice da paixão de Leonardo, momento em que nada mais importa, a luz rosada que o encobria turvou-se e transformou-se em breu. Noite de sábado, balada psicodélica, duas taças na mão e uma aliança no bolso. Um lapso: uma meretriz encrustada em braços indecentes de outrem.
A conclusão que se pode ter é um rapaz destruído, de olhar perplexo e encharcado, uma revolução “psicotrágica” desenrola-se e ganha força em situações come estas. Em casos como este, faz-se necessário a presença constante de antidepressivos e soníferos. De fato, a desilusão desnorteada e quase personificada é uma companhia triste, de braços cruzados. Como renascer e matar são opções pouco adequadas, esquecer é a saída mais eficaz, ainda que ilusória.
domingo, 24 de abril de 2011
Entre borboletas e pedrinhas – cena final
(tudo escuro. Suavemente, um foco de luz surge mostrando o menino caminhando para o lado esquerdo do palco, naturalmente. Outro foco de luz surge mostrando a menina parada. Alguns segundos depois ela olha para o menino).
Menina – Você!
(O menino a olha, muda de direção e continua andando a esmo)
Menina – Já voltou? Como foi lá?
Menino – (com desinteresse) É. Foi.
Menina – Quando você vai de novo?
Menino – Não sei.
Menina – (sem jeito) Eu não consegui... Eu caí, você viu?
Menino - É. Eu vi.
Menina – Eu vou tentar de nova, tá?
(Ela olha e depois de alguns instantes anda em sua direção). A cor da luz muda enquanto ela anda com cuidado. Ela cai).
Menino – O que houve? Caiu de novo? Por que não levanta?
Menina – (com raiva) Você não entende? (fica de joelhos) Eu não posso!
Menino – Sua mãe te bateu?
Menina – Sim.
Menino – Você chorou?
Menina – Sim.
Menino – então porque não vem?
Menina – Já disse. Estou com muito calor!
Menino – Eu não tenho calor.
Menina – Onde você está?
Menino – Em um lugar bom.
Menina – Eu posso ir?
Menino – Venha.
(A garota levanta-se e vai caminhando na direção dele). Quando chega bem próxima, vai tocá-lo, tropeça e apoia-se nele. (Ele a segura, mas ela fica furiosa)
Menina – Não existe nenhuma ponte entre mim e você! Seu mentiroso! Agora não tenho mais calor, tenho frio! Muito frio!
Menino – (perplexo) Você quer um raio de sol?
Menina – (irritada) não, eu quero você!
Menino – Você quer uma maçã?
Menina – Não. ( empurra-o) Eu quero dormir. Já estou cansada! Não me perturbe mais!
(Ela afasta-se)
Menino – Você irá comigo.
(Ele vai até ela e pega-a a mão. Passam alguns instantes e os dois olham para as mãos juntas)
Menina – Você vai me levar?
Menino – Sim, nós vamos juntos. Meu pai nos trará um grande bolo. Você quer?
Menina – Você me dará o seu pedaço?
Menino – Se você quiser, eu o darei.
(Eles caminham. A menina para.)
Menina – Mamãe não me deixa ir.
Menino – Papai vai deixar.
Menina – eu vou pra casa.
Menino – Vamos sair daqui?
Menina – eu voe embora. (olha para o outro lado)
Menino – Você não deve ir agora.
Menina – Seu louco! Mamãe já me chamou!
Menino – Amanhã eu volto aqui.
Menina – Você volta?
Menino – Não.
Menina – Por quê?
Menino – Eu vou embora.
Menina – Eu vou com você.
Menino – Não.
Menina – (gritando com raiva) Quem você pensa que é? Mamãe vai comigo!
Menino – (já saindo de cena) Adeus!
Menina – posso ir com você?
Menino – Se você conseguir de desenhar borboletas no ar, você pode.
(A menina olha suas mãos e começa a chorar)
FIM
Menina – Você!
(O menino a olha, muda de direção e continua andando a esmo)
Menina – Já voltou? Como foi lá?
Menino – (com desinteresse) É. Foi.
Menina – Quando você vai de novo?
Menino – Não sei.
Menina – (sem jeito) Eu não consegui... Eu caí, você viu?
Menino - É. Eu vi.
Menina – Eu vou tentar de nova, tá?
(Ela olha e depois de alguns instantes anda em sua direção). A cor da luz muda enquanto ela anda com cuidado. Ela cai).
Menino – O que houve? Caiu de novo? Por que não levanta?
Menina – (com raiva) Você não entende? (fica de joelhos) Eu não posso!
Menino – Sua mãe te bateu?
Menina – Sim.
Menino – Você chorou?
Menina – Sim.
Menino – então porque não vem?
Menina – Já disse. Estou com muito calor!
Menino – Eu não tenho calor.
Menina – Onde você está?
Menino – Em um lugar bom.
Menina – Eu posso ir?
Menino – Venha.
(A garota levanta-se e vai caminhando na direção dele). Quando chega bem próxima, vai tocá-lo, tropeça e apoia-se nele. (Ele a segura, mas ela fica furiosa)
Menina – Não existe nenhuma ponte entre mim e você! Seu mentiroso! Agora não tenho mais calor, tenho frio! Muito frio!
Menino – (perplexo) Você quer um raio de sol?
Menina – (irritada) não, eu quero você!
Menino – Você quer uma maçã?
Menina – Não. ( empurra-o) Eu quero dormir. Já estou cansada! Não me perturbe mais!
(Ela afasta-se)
Menino – Você irá comigo.
(Ele vai até ela e pega-a a mão. Passam alguns instantes e os dois olham para as mãos juntas)
Menina – Você vai me levar?
Menino – Sim, nós vamos juntos. Meu pai nos trará um grande bolo. Você quer?
Menina – Você me dará o seu pedaço?
Menino – Se você quiser, eu o darei.
(Eles caminham. A menina para.)
Menina – Mamãe não me deixa ir.
Menino – Papai vai deixar.
Menina – eu vou pra casa.
Menino – Vamos sair daqui?
Menina – eu voe embora. (olha para o outro lado)
Menino – Você não deve ir agora.
Menina – Seu louco! Mamãe já me chamou!
Menino – Amanhã eu volto aqui.
Menina – Você volta?
Menino – Não.
Menina – Por quê?
Menino – Eu vou embora.
Menina – Eu vou com você.
Menino – Não.
Menina – (gritando com raiva) Quem você pensa que é? Mamãe vai comigo!
Menino – (já saindo de cena) Adeus!
Menina – posso ir com você?
Menino – Se você conseguir de desenhar borboletas no ar, você pode.
(A menina olha suas mãos e começa a chorar)
FIM
Assinar:
Comentários (Atom)