quinta-feira, 11 de novembro de 2010

À tarde

Menino dorme,
Dorme no sol quente,
Pra ficar vivo,
E beijar mais, tente.

E esqueça-se da lida,
Deixada no mormaço,
Secando intermitente,
No varal já decadente.

Sonhe mais alto,
Tirando a roupa seca,
Grudada pelo corpo,
Suado e amargo sal.

Criando aquele antro,
Um tanto maternal,
Aquecido entre os braços,
Dos ramos do quintal.

Brinque com as sombras,
Criadas do apelo,
De menino do sol quente,
De menino já dormente.

Vitor Vieira

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