terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oh vil fantasia,
que dobradas vezes
estás adornar-me
com longos braços,
a furtar-me o perfume.

Não vês,
quão daninha és,
quão gélida a inflamar-me
em leitos tão negros
tão profundos.

Ah,
louco estribilho
porque retomas
a tua infiel desgraça
de assobiar-me ao ouvido
cançonetas de perdição?

Sossego-me em colcha espinhenta,
em floresta receosa,
entre víboras e lacraias,
tudo,
para não acalentar-me
em teu colo.

Até breve partida,
sólido estarei,
sadio em alma,
imune a ti,
máquina de calúnias...

Vitor Vieira

Um comentário:

  1. Vitor,

    Acabo de ler algumas de suas redações que sua mãe trouxe. Você tem mesmo um poder de contemplação muito bom, e consegue colocar no papel estes sentimentos de uma forma muito profunda.

    Você é um artista de mão cheia.

    Continue investindo e se aperfeiçoando cada vez mais, e com certeza sairão muitos frutos desta semeadura.

    Abraços!

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