A guerra que toma,
Devastação,
Na missão de paz,
A operação ocorre.
Oitocentos homens,
Que cercaram,
Ontem na guerra,
Uma aposentada.
Resistência.
Para onde centenas,
Ele foi atingido!
Das ruas,
Na rua.
E assustou,
Num tiroteio,
Revidaram,
O soldado.
A bordo de 30,
Atiraram,
Agora,
Cinco deles,
Uma menina,
Também foi.
Vitor Vieira
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
À tarde
Menino dorme,
Dorme no sol quente,
Pra ficar vivo,
E beijar mais, tente.
E esqueça-se da lida,
Deixada no mormaço,
Secando intermitente,
No varal já decadente.
Sonhe mais alto,
Tirando a roupa seca,
Grudada pelo corpo,
Suado e amargo sal.
Criando aquele antro,
Um tanto maternal,
Aquecido entre os braços,
Dos ramos do quintal.
Brinque com as sombras,
Criadas do apelo,
De menino do sol quente,
De menino já dormente.
Vitor Vieira
Dorme no sol quente,
Pra ficar vivo,
E beijar mais, tente.
E esqueça-se da lida,
Deixada no mormaço,
Secando intermitente,
No varal já decadente.
Sonhe mais alto,
Tirando a roupa seca,
Grudada pelo corpo,
Suado e amargo sal.
Criando aquele antro,
Um tanto maternal,
Aquecido entre os braços,
Dos ramos do quintal.
Brinque com as sombras,
Criadas do apelo,
De menino do sol quente,
De menino já dormente.
Vitor Vieira
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Mais uma vez
É mais uma noite em claro,
Que o sono vem torto,
E a noite impiedosa,
Sem calma, sonho, uma tortura.
Gotas de sangue meu,
Flutuam pelo ar a minha volta,
Raiva desescrupulada,
Que horas difíceis, meu Deus!
São anos a menos,
Nessas horas famintas,
São madeichas alvas,
Numa calvice antecipada.
Fico a pensar nas pessoas,
Que um dia estarei longe,
Velhos, vivas, alegres e indecisos,
Só por hoje, que pena, só por hoje.
Perdoem-me irmãos,
Pela falta de esperança,
Sei que um dia fui,
Um pouco mais criança.
Ah se assim fosse,
Ah se fosse assim.
Vitor Vieira
Que o sono vem torto,
E a noite impiedosa,
Sem calma, sonho, uma tortura.
Gotas de sangue meu,
Flutuam pelo ar a minha volta,
Raiva desescrupulada,
Que horas difíceis, meu Deus!
São anos a menos,
Nessas horas famintas,
São madeichas alvas,
Numa calvice antecipada.
Fico a pensar nas pessoas,
Que um dia estarei longe,
Velhos, vivas, alegres e indecisos,
Só por hoje, que pena, só por hoje.
Perdoem-me irmãos,
Pela falta de esperança,
Sei que um dia fui,
Um pouco mais criança.
Ah se assim fosse,
Ah se fosse assim.
Vitor Vieira
domingo, 12 de setembro de 2010
Entre borboletas e pedrinhas – 2ª parte
O palco está parcialmente às escuras. Um feixe de luz do lado direito do palco acompanha a menina. Ela anda sorrateiramente, como se estivesse tentando esconder-se de alguém. Subitamente, ela começa a dar unhadas no ar, com uma intensa ira. O garoto entra em cena observando-a, perplexo com a sua atitude. Aproxima-se dela.
Menino - O que você está fazendo?
Menina – Você não sabe? Estou brincando!
Menino – Não entendo.
Menina – Não? Estou com calor. Muito calor.
Menino – Eu posso ajudar?
Menina – Não. Mamãe me deu isto.
Tira um leque que estava escondido em sua roupa e começa a abanar-se.
Menino - O que é isso?
Menina – (com indiferença) O que mamãe me deu.
A menina anda alguns passos com um sorriso de contentamento. Depois olha para o garoto.
Menina – (desdenhosa) Você não está com calor?
Menino – Eu não preciso sentir calor. Estou em um lugar onde isso não existe. Se quiser, pode vir comigo. Aqui está tão bom...
A menina o observa com desconfiança e vai andando lentamente na direção dele. Ao chegar bem perto, o abraça. Ela larga-o e dá um grito de fúria.
Menina – Eu ainda estou com calor. Deixe de loucura! Aqui está fervendo.
Ela volta a abanar-se com violência.
Menino – Está com raiva?
Menina – (zombeteira) Eu não preciso sentir raiva.
Menino – (sorrindo) Eu também não!
Menina – (em tom de ameaça) mamãe me disse que todos sentem raiva. Então você sente também.
Menino – eu tenho amigos.
Menina – (gritando) Ah, é ? Eu também te...
Ela olha-o e fica em silêncio por alguns segundos.
Menina – (rindo maldosamente) Você também não tem! E você não pode desenhar amigos porque assim, eles seriam amigos imaginários e isso todo mundo tem!
Menino - Eu não preciso fazer isso, eu tenho amigos de verdade! Você também tem, eu já sei.
A menina alegra-se e entristece-se, começando então a chorar. O garoto comove-se com ela e a observa com pena.
Menino – Papai me disse que devo abraçá-la.
A menina o olha com o rosto úmido de lágrimas e ela própria pula nele, agarrando-o.
Menina – Eu quero ficar com você.
Menino – Você já na tem um lar?
Menina – (com inocência) eu quero sentir calor.
Menino – Então vamos.
Os dois caminham para o lado esquerdo do palco. No percurso o rosto da menina vai mudando. Ela sai contente, fica séria, aparenta tristeza e em seguida raiva. Ao chegar nesse ponto, volta todo o percurso. O garoto chega na extremidade e olha para trás, vendo que a garota não o acompanhou.
Menino – (gritando como se ela estivesse muito longe) Eu tenho que te mostrar as borboletas! Vamos atravesse!
A menina o olha, desgostosa.
Menina – Atravessar o quê?
Menino – Depressa!
Ela o olha com desconfiança e vai ao seu encontro. Após alguns passos, ela fica com medo. Olha para o chão como se ali houvesse um abismo.Dá mais alguns passos, trêmula, e cai.
Menino – Vamos! Rápido! Atravesse!
Enquanto ele a chama, o foco de luz vai enfraquecendo, até restar apenas o foco de luz sobre a menina. Ela está imobilizada. Ainda é possível ouvir os chamados do garoto. As luzes apagam e os chamados cessam.
Menino - O que você está fazendo?
Menina – Você não sabe? Estou brincando!
Menino – Não entendo.
Menina – Não? Estou com calor. Muito calor.
Menino – Eu posso ajudar?
Menina – Não. Mamãe me deu isto.
Tira um leque que estava escondido em sua roupa e começa a abanar-se.
Menino - O que é isso?
Menina – (com indiferença) O que mamãe me deu.
A menina anda alguns passos com um sorriso de contentamento. Depois olha para o garoto.
Menina – (desdenhosa) Você não está com calor?
Menino – Eu não preciso sentir calor. Estou em um lugar onde isso não existe. Se quiser, pode vir comigo. Aqui está tão bom...
A menina o observa com desconfiança e vai andando lentamente na direção dele. Ao chegar bem perto, o abraça. Ela larga-o e dá um grito de fúria.
Menina – Eu ainda estou com calor. Deixe de loucura! Aqui está fervendo.
Ela volta a abanar-se com violência.
Menino – Está com raiva?
Menina – (zombeteira) Eu não preciso sentir raiva.
Menino – (sorrindo) Eu também não!
Menina – (em tom de ameaça) mamãe me disse que todos sentem raiva. Então você sente também.
Menino – eu tenho amigos.
Menina – (gritando) Ah, é ? Eu também te...
Ela olha-o e fica em silêncio por alguns segundos.
Menina – (rindo maldosamente) Você também não tem! E você não pode desenhar amigos porque assim, eles seriam amigos imaginários e isso todo mundo tem!
Menino - Eu não preciso fazer isso, eu tenho amigos de verdade! Você também tem, eu já sei.
A menina alegra-se e entristece-se, começando então a chorar. O garoto comove-se com ela e a observa com pena.
Menino – Papai me disse que devo abraçá-la.
A menina o olha com o rosto úmido de lágrimas e ela própria pula nele, agarrando-o.
Menina – Eu quero ficar com você.
Menino – Você já na tem um lar?
Menina – (com inocência) eu quero sentir calor.
Menino – Então vamos.
Os dois caminham para o lado esquerdo do palco. No percurso o rosto da menina vai mudando. Ela sai contente, fica séria, aparenta tristeza e em seguida raiva. Ao chegar nesse ponto, volta todo o percurso. O garoto chega na extremidade e olha para trás, vendo que a garota não o acompanhou.
Menino – (gritando como se ela estivesse muito longe) Eu tenho que te mostrar as borboletas! Vamos atravesse!
A menina o olha, desgostosa.
Menina – Atravessar o quê?
Menino – Depressa!
Ela o olha com desconfiança e vai ao seu encontro. Após alguns passos, ela fica com medo. Olha para o chão como se ali houvesse um abismo.Dá mais alguns passos, trêmula, e cai.
Menino – Vamos! Rápido! Atravesse!
Enquanto ele a chama, o foco de luz vai enfraquecendo, até restar apenas o foco de luz sobre a menina. Ela está imobilizada. Ainda é possível ouvir os chamados do garoto. As luzes apagam e os chamados cessam.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Aquela mulher
Eram seus lábios,
De praça, de rua, de graça,
Em seu rosto,
Cansado, fachado e atado.
Onde cores mais vivas,
Brincavam em seu ósculo,
Como anjos aos seus pés,
Dois, mais um de viés.
Criados no gargalo da cerveja,
Esquecidos pela casa fria,
Que era sua,
Só sua.
Mas não estava cá,
Estava contigo,
Um carma vivo,
Focado a tu levar.
Em seus braços cruzados,
Amarrados a um de seus vícios,
Branco, quente e sujo,
Esparso pelo mundo.
Mundo constante,
Mundo infame,
Tu seguiria,
Mais uma vez, de volta.
Num eco mudo, surdo, louco,
Caco, fraco, opaco,
Leve, livre, lento,
Batom, batom, batom,
Tu usaria,
E seriam,
Seus lábios.
Vitor Vieira
De praça, de rua, de graça,
Em seu rosto,
Cansado, fachado e atado.
Onde cores mais vivas,
Brincavam em seu ósculo,
Como anjos aos seus pés,
Dois, mais um de viés.
Criados no gargalo da cerveja,
Esquecidos pela casa fria,
Que era sua,
Só sua.
Mas não estava cá,
Estava contigo,
Um carma vivo,
Focado a tu levar.
Em seus braços cruzados,
Amarrados a um de seus vícios,
Branco, quente e sujo,
Esparso pelo mundo.
Mundo constante,
Mundo infame,
Tu seguiria,
Mais uma vez, de volta.
Num eco mudo, surdo, louco,
Caco, fraco, opaco,
Leve, livre, lento,
Batom, batom, batom,
Tu usaria,
E seriam,
Seus lábios.
Vitor Vieira
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Poesia dadaísta de um detento
Foi o amor da esposa,
Historias de amor,
O tempo passa,
Meu filho.
A primeira perda,
Droga,
Entre quatro,
Sair daqui.
Solidão,
De um colega,
Réu,
A esperança.
Meses,
A falar,
O jovem,
Sentença,
Carrega.
Vitor Vieira
ps: Obrigado Tzara
Historias de amor,
O tempo passa,
Meu filho.
A primeira perda,
Droga,
Entre quatro,
Sair daqui.
Solidão,
De um colega,
Réu,
A esperança.
Meses,
A falar,
O jovem,
Sentença,
Carrega.
Vitor Vieira
ps: Obrigado Tzara
Para uma nipônica
Eu não tenho vontade de te beijar agora,
Aqui,
Agora.
Eu te olho,
Não quero te beijar.
Aliso seus cabelos,
Eu gosto disso,
Aliso seus cabelos,
Friso seus olhos,
Agora as sobrancelhas,
Sinto vergonha,
Mas eu te quero.
Muito.
Mas eu não quero te beijar agora,
Não agora.
Por que não basta,
Agora,
Aqui,
Te olhando,
Não basta.
Pra mim,
Repito,
Não basta.
Eu te quero,
Quero muito,
Repetido assim mesmo,
Repetir e repetir,
Por que agora?
Te quero lá,
Lá na cama,
Comigo,
Desculpa,
Mas é isso,
Você,
Completa,
Insegura,
Só pra mim,
Só em mim,
Dentro de mim,
Eu em você,
Quero você.
E isso,
É uma vela,
É a chama da vela,
Que crepita,
Oscila,
Vacila,
Insegura,
Como você,
É você,
Em mim.
Puxa.
O que é isso,
Deus!
Eu não te amo,
Nem você,
Mas eu te quero,
Não seu corpo,
Mas você,
Uma criança,
Como eu,
Querendo,
Beijando,
Não agora,
Só com você.
De novo,
Desculpa pela chatice,
Que droga!
Por que isso?
Por que você?
Sua má!
Rosa de espinhos,
Sim,
De espinhos,
Que eu adoro,
Que eu amo,
Eu amo?
Me ferir,
Em você,
Japonesa.
Vitor Vieira
Aqui,
Agora.
Eu te olho,
Não quero te beijar.
Aliso seus cabelos,
Eu gosto disso,
Aliso seus cabelos,
Friso seus olhos,
Agora as sobrancelhas,
Sinto vergonha,
Mas eu te quero.
Muito.
Mas eu não quero te beijar agora,
Não agora.
Por que não basta,
Agora,
Aqui,
Te olhando,
Não basta.
Pra mim,
Repito,
Não basta.
Eu te quero,
Quero muito,
Repetido assim mesmo,
Repetir e repetir,
Por que agora?
Te quero lá,
Lá na cama,
Comigo,
Desculpa,
Mas é isso,
Você,
Completa,
Insegura,
Só pra mim,
Só em mim,
Dentro de mim,
Eu em você,
Quero você.
E isso,
É uma vela,
É a chama da vela,
Que crepita,
Oscila,
Vacila,
Insegura,
Como você,
É você,
Em mim.
Puxa.
O que é isso,
Deus!
Eu não te amo,
Nem você,
Mas eu te quero,
Não seu corpo,
Mas você,
Uma criança,
Como eu,
Querendo,
Beijando,
Não agora,
Só com você.
De novo,
Desculpa pela chatice,
Que droga!
Por que isso?
Por que você?
Sua má!
Rosa de espinhos,
Sim,
De espinhos,
Que eu adoro,
Que eu amo,
Eu amo?
Me ferir,
Em você,
Japonesa.
Vitor Vieira
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Foco
Olhos de vitrine,
Sem pudor, sem crime,
Que só perdem,
E perseguem,
A toda uma vida.
Olhos que não pedem,
Que recebem,
E divergem,
Do seu foco.
Olhos loucos,
Que não são poucos,
E consomem,
Por dentro o homem,
Inteiro homem.
Olhos em praças,
Nas desgraças,
Dessa vida,
Vitrinada e amada.
Olhos que distorcem,
Que contorcem,
E não podem,
Comer-me.
Por que estou,
Do outro lado,
Da retina,
Desse osculo,
Espelhado.
E daqui eu posso ver,
Que eu,
Que você,
Somos olhos de vitrine.
Vitor Vieira.
Sem pudor, sem crime,
Que só perdem,
E perseguem,
A toda uma vida.
Olhos que não pedem,
Que recebem,
E divergem,
Do seu foco.
Olhos loucos,
Que não são poucos,
E consomem,
Por dentro o homem,
Inteiro homem.
Olhos em praças,
Nas desgraças,
Dessa vida,
Vitrinada e amada.
Olhos que distorcem,
Que contorcem,
E não podem,
Comer-me.
Por que estou,
Do outro lado,
Da retina,
Desse osculo,
Espelhado.
E daqui eu posso ver,
Que eu,
Que você,
Somos olhos de vitrine.
Vitor Vieira.
Companhia
Menino na praia,
De pipa na mão,
Com asas amarelas,
Sem blusa, calção.
Entre nuvens ela voa,
E esconde-esconde faz
Com o menino na praia,
Ele e ela em paz.
De repente um susto,
Ela se foi?
Não ela se vai,
Com o menino na praia.
E ele corre,
E ele pula,
Com a pipa na mão,
Ele dança,
É pura emoção.
O menino na praia,
Olha o mar,
A pipa no céu,
Ela vai se soltar.
O menino na praia,
Dentro do mar,
Lá se vai ela,
Lenta a chorar.
De onda, em onda,
De vento em brisa,
O menino fica,
E a pipa grita:
Menino! Menino!
Coitada da pipa,
Que rumo terá?
Se o menino na praia,
Lá vai ficar!?
E a pipa se foi,
Triste a sondar,
Os sonhos perdidos,
Do grande além mar.
E a noite se chega,
Com lua e estrela,
E a pipa pergunta:
Cadê meu menino?!
Um dia a mais,
E um mês atrás,
A pipa estava,
Sozinha, sem lar.
Até que um dia,
Cansada da vida,
A pipa dizia:
É o fim, acabou!
E de novo, e de novo,
Lá foi a pipa,
Sozinha e bonita,
O infinito buscar.
Buscou, buscou,
Até que encontrou,
Um menino na praia,
Com quem quis falar.
- Menino, ei, menino!
Chamou a pipa
-Menino, ei, menino!
Eu vim te pegar!
E o menino pegou,
E ela falou,
-Que saudades eu tive!
Do menino e da pipa.
Vitor Vieira
De pipa na mão,
Com asas amarelas,
Sem blusa, calção.
Entre nuvens ela voa,
E esconde-esconde faz
Com o menino na praia,
Ele e ela em paz.
De repente um susto,
Ela se foi?
Não ela se vai,
Com o menino na praia.
E ele corre,
E ele pula,
Com a pipa na mão,
Ele dança,
É pura emoção.
O menino na praia,
Olha o mar,
A pipa no céu,
Ela vai se soltar.
O menino na praia,
Dentro do mar,
Lá se vai ela,
Lenta a chorar.
De onda, em onda,
De vento em brisa,
O menino fica,
E a pipa grita:
Menino! Menino!
Coitada da pipa,
Que rumo terá?
Se o menino na praia,
Lá vai ficar!?
E a pipa se foi,
Triste a sondar,
Os sonhos perdidos,
Do grande além mar.
E a noite se chega,
Com lua e estrela,
E a pipa pergunta:
Cadê meu menino?!
Um dia a mais,
E um mês atrás,
A pipa estava,
Sozinha, sem lar.
Até que um dia,
Cansada da vida,
A pipa dizia:
É o fim, acabou!
E de novo, e de novo,
Lá foi a pipa,
Sozinha e bonita,
O infinito buscar.
Buscou, buscou,
Até que encontrou,
Um menino na praia,
Com quem quis falar.
- Menino, ei, menino!
Chamou a pipa
-Menino, ei, menino!
Eu vim te pegar!
E o menino pegou,
E ela falou,
-Que saudades eu tive!
Do menino e da pipa.
Vitor Vieira
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Domingo
Sacolas voando,
Pelos ceús de palmeira,
Um branco no anil,
Celeste urbano mar.
Lôro gritando,
Pia lavada,
Uma moça deitada,
Domingo de sorte,
Domingo é vermelho?
Não,
Domingo é amarelo.
Crianças zunindo,
Viagem ao léu,
Quando acaba?
Não sei.
Joelho ralado,
Rede vazia,
Descanso fadado.
Pés sem chinelo,
Perto do café,
Maria lá estava.
Fogo aceso,
Caneca de chá,
Cidreira ou canela?
Que tal fubá?
Poeira sobre a cama
e sobre o sofá,
varais balançando,
sóis de danar.
Um peixe no aquário,
Um, dois, seco.
Garoto e caneta,
Espinhas no rosto,
Preguiças nas mãos.
Uns pintos latindo,
Cachorro bota ovo?
Pisos lá em cima,
Em cima do sobrado.
Outro saco voando,
Tios indo embora,
É domingo,
De pedra,suco e bola.
Pelos ceús de palmeira,
Um branco no anil,
Celeste urbano mar.
Lôro gritando,
Pia lavada,
Uma moça deitada,
Domingo de sorte,
Domingo é vermelho?
Não,
Domingo é amarelo.
Crianças zunindo,
Viagem ao léu,
Quando acaba?
Não sei.
Joelho ralado,
Rede vazia,
Descanso fadado.
Pés sem chinelo,
Perto do café,
Maria lá estava.
Fogo aceso,
Caneca de chá,
Cidreira ou canela?
Que tal fubá?
Poeira sobre a cama
e sobre o sofá,
varais balançando,
sóis de danar.
Um peixe no aquário,
Um, dois, seco.
Garoto e caneta,
Espinhas no rosto,
Preguiças nas mãos.
Uns pintos latindo,
Cachorro bota ovo?
Pisos lá em cima,
Em cima do sobrado.
Outro saco voando,
Tios indo embora,
É domingo,
De pedra,suco e bola.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Mundo rico
Este é o mundo rico,
Este é o triste mundo rico,
Onde nada, não vale nada,
Onde tudo é todo custo.
Onde vale o meu amor,
Nesse mundo vale-tudo?
Nesse mundo tudo-vale?
Tudo-vale? ou vale-tudo?
Onde valem as estrelas,
Que certo dia nos roubaram?
Onde moram tais amigos,
Que um dia nos amaram?
Onde vendem meu veneno?
Onde compram seu intento?
Onde gastam sacrilégios?
Onde lucram sonhos régios?
Que mundo vive,
Num câmbio em riste?
Que glória "ebola",
É essa agora, meu Deus?
Este é o triste mundo rico,
Onde nada, não vale nada,
Onde tudo é todo custo.
Onde vale o meu amor,
Nesse mundo vale-tudo?
Nesse mundo tudo-vale?
Tudo-vale? ou vale-tudo?
Onde valem as estrelas,
Que certo dia nos roubaram?
Onde moram tais amigos,
Que um dia nos amaram?
Onde vendem meu veneno?
Onde compram seu intento?
Onde gastam sacrilégios?
Onde lucram sonhos régios?
Que mundo vive,
Num câmbio em riste?
Que glória "ebola",
É essa agora, meu Deus?
terça-feira, 20 de julho de 2010
Pessoas que choram
Pessoas que choram sozinhas
Que choram na praça,
Que choram no ônibus,
Que choram no carro,
Que choram em casa,
Que choram na rua,
Que choram no bar.
Que choram na calçada,
Que choram no asfalto,
Que choram na sombra,
Que choram sem ar.
Pessoas tristes,
Pessoas felizes,
Pessoas casadas,
Pessoas em pessoas.
Pessoas que choram com outras,
Que choram no sofá,
Que choram na cama,
Que choram na mesa,
Que choram em amar.
Pessoas altas,
Pessoas falsas,
Pessoas castas,
Pessoas sem par.
Pessoas que choram por outras,
Que choram por si,
Que choram por mim,
Que choram por ti.
Pessoas que choram na TV,
Que choram com você,
Que choram até amanhecer,
Que choram pra viver,
Que choram sem pra quê.
Que choram no ar,
Que choram no fim,
Que choram no começo,
Que choram no meio,
Que choram no clímax,
Que choram sem preço.
Pessoas que amam,
Sim, pessoas que choram,
Pessoas no infinito,
Num finito de pessoas.
Que choram na praça,
Que choram no ônibus,
Que choram no carro,
Que choram em casa,
Que choram na rua,
Que choram no bar.
Que choram na calçada,
Que choram no asfalto,
Que choram na sombra,
Que choram sem ar.
Pessoas tristes,
Pessoas felizes,
Pessoas casadas,
Pessoas em pessoas.
Pessoas que choram com outras,
Que choram no sofá,
Que choram na cama,
Que choram na mesa,
Que choram em amar.
Pessoas altas,
Pessoas falsas,
Pessoas castas,
Pessoas sem par.
Pessoas que choram por outras,
Que choram por si,
Que choram por mim,
Que choram por ti.
Pessoas que choram na TV,
Que choram com você,
Que choram até amanhecer,
Que choram pra viver,
Que choram sem pra quê.
Que choram no ar,
Que choram no fim,
Que choram no começo,
Que choram no meio,
Que choram no clímax,
Que choram sem preço.
Pessoas que amam,
Sim, pessoas que choram,
Pessoas no infinito,
Num finito de pessoas.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Preguiça
Braços e pernas,
Mãos e pés,
Joelhos e pescoço,
Boca,nariz e orelhas,
Um corpo inteiro,
Sentado e escrevendo,
Sua gula exercitando.
Ai,
Essas nuvens não passam,
E o tempo goteja,
E o mundo cá explode,
Que coisa,
A preguiça não deixa.
Preguiça de sair,
De cantar,
De voar,
Devagar,
De comer,
De viver,
De sorrir,
De dormir,
Preguiça,
De ter preguiça.
E nisso há certeza.
Paro agora,
Ai,
A preguiça não deixa.
Mãos e pés,
Joelhos e pescoço,
Boca,nariz e orelhas,
Um corpo inteiro,
Sentado e escrevendo,
Sua gula exercitando.
Ai,
Essas nuvens não passam,
E o tempo goteja,
E o mundo cá explode,
Que coisa,
A preguiça não deixa.
Preguiça de sair,
De cantar,
De voar,
Devagar,
De comer,
De viver,
De sorrir,
De dormir,
Preguiça,
De ter preguiça.
E nisso há certeza.
Paro agora,
Ai,
A preguiça não deixa.
Giz
Uma forma,
Que desforma,
E torna,
Mais belo meu tear?
Que mensagens,
Esta viagem,
Nas mãos dum pajem,
Irão levar?
Uma foto,
Um foco,
Num bloco,
De papel branco,
Branco com,
Um papel branco.
Este lápis,
Dão as pazes,
Entre o fígado,
E o ar.
Rastro fraco,
Chato traço,
Ligo e faço,
Um belo torto mar.
E num giz
De cera sujo,
Sujam o papel,
Branco,
Branco papel.
Que desforma,
E torna,
Mais belo meu tear?
Que mensagens,
Esta viagem,
Nas mãos dum pajem,
Irão levar?
Uma foto,
Um foco,
Num bloco,
De papel branco,
Branco com,
Um papel branco.
Este lápis,
Dão as pazes,
Entre o fígado,
E o ar.
Rastro fraco,
Chato traço,
Ligo e faço,
Um belo torto mar.
E num giz
De cera sujo,
Sujam o papel,
Branco,
Branco papel.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Enquanto escrevo,
Enquanto labuto,
Descubro,
Sozinho,
Que estou a um passo,
De mais longe estar
Do meu tesouro,
Do meu encosto.
Será?
Que condenado eu sou,
A esculpir de novo,
Um suicídio do outro,
Daquele outro,
Daqueles outros.
Será?
Tudo isso em vão,
Que tudo irá ao chão,
Quando no fim chegar?
Será?
Eu um pleonasmo?
Eu um dos viciosos?
Eu uma anáfora?
Eu uma gradação?
Sou eu,
Um copião?
Será?
Vitor Vieira
Enquanto labuto,
Descubro,
Sozinho,
Que estou a um passo,
De mais longe estar
Do meu tesouro,
Do meu encosto.
Será?
Que condenado eu sou,
A esculpir de novo,
Um suicídio do outro,
Daquele outro,
Daqueles outros.
Será?
Tudo isso em vão,
Que tudo irá ao chão,
Quando no fim chegar?
Será?
Eu um pleonasmo?
Eu um dos viciosos?
Eu uma anáfora?
Eu uma gradação?
Sou eu,
Um copião?
Será?
Vitor Vieira
Sem querer,
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
Rio de mim,
Rio de vós,
Um córrego humano,
Na vã tentativa,
Eu insisto,
Não consigo,
Decifrar teus enigmas,
Ler teus olhares.
Repetição,
Frustração,
Frustração,
Distração,
Sem saber o porquê,
De esta dura pena viver,
Uma vil lixaria,
De atos viciados,
São mais duas estrofes aos bofes,
Que agora jogo,
Para o ar.
Vitor Vieira
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Conjugação da humaninade
Eu sou erro
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
Tu és erro
Ele é erro
Vós sois erros
Eles são erros
...
Nós somos solução
sábado, 10 de abril de 2010
Entre borboletas e pedrinhas- parte 1
Escuridão. Passados alguns instantes, um feixe de luz aparece no lado direito do palco, Uma garotinha surge. Ela senta-se calmamente no chão, tira algumas pedrinhas do bolso e começa a brincar com elas, inocentemente. Um garoto aparece em cena. Ele vai para o lado da menina. Ela olha para o garoto, dá um sorriso puro e volta a brincar com as pedrinhas. O menino senta-se ao lado da menina e observa a brincadeira. Ela para e o abraça. Ela sorri. O clima é solitário. Somente há um feixe de luz, o restante do palco está ás escuras.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
Menino: Que bonitas as pedrinhas que você tem!
Menina: Obrigada.
Menino: Você é boa não é?
Menina: Minha mãe me ensinou. Você sabe?
Menino: Não. ( Dá uma pausa. Observa a menina brincar um pouco e volta a falar) Mas eu sei fazer outra coisa!
Menina: (curiosa) O quê?
Menino: Meu pai me ensinou. Ele me ensinou a desenhar.
Menina: Eu também sei desenhar!
Menino: É... Mas eu faço desenhos no ar.
Menina: Isso não existe!
Menino: Existe sim! Espere, eu vou te mostrar.
O menino levanta-se e começa a olhar a própria mão.
Menino: Eu farei uma borboleta!
O menino começa a rabiscar numa lousa invisível á sua frente. Ela está desenhando uma borboleta. O garoto termina todo feliz.
Menino; Viu? Viu a borboleta que eu fiz? Você a acha bonita?
Menina: (olha para o ar, apertando os olhos com desconfiança) Eu não sei... Eu não vejo nada. Eu duvido que você consiga fazer um coração.
Menino: Ah, isso é besteira! É muito fácil fazer um coração.
O menino volta a rabiscar o ar a sua volta, desenhando o coração. Quando termina, ele volta-se para a menina outra vez.
Menino: ( Com um desdém inocente) Terminei! O que você acha?
A menina observa o ar procurando o coração.
Menina: Agora eu é quem vou fazer um coração. Sai!
A garota começa a rabiscar o ar, mas o seu braço escorrega repentinamente. Olha para a mão e depois para o ar novamente, frustrada tenta novamente desenhar alguma coisa, mas não consegue. Novamente seu braço cai. Ela olha para as próprias mãos com indignação. Olha para o garoto.
Menina: Seu mentiroso! Eu não consegui desenhar nada! Não se pode desenhar no ar! Não pode!
Menino: Não! Isso não é verdade. Eu consigo. Você viu, não viu?
Menina: (gritando) NÃO! Mamãe diz que não se pode desenhar sem lápis. Você é tolo!
Menino: Não sou! Eu não preciso de lápis nenhum!
O garoto começa a desenhar no ar novamente. A menina o empurra repentinamente e ele cai no chão.
Menina: Eu tenho inveja de você. Por que você desenha e eu não? Eu te odeio!
A menina joga as pedrinhas no menino e sai de cena. O menino observa a garota sair e começa a chorar. O feixe de luz vai sumindo lentamente. Fica-se escutando o choro do garoto na escuridão. Os soluços cessam, finalizando a cena.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Seria tão bom
Tão seria bom,
Se fosse pluma,
Viajar em vias incertas,
Sem maldades criar,
Sem de problemas sair,
Único,
Plume-AR.
Tanto quanto bom,
Seria ganso,
E não perderia jamais,
O senso da vida,
E na hora certa,
Seguiria pro céu,
Pro céu.
E melhor mais fosse,
Seria dog,
Confiaria no meu bom,
Velho conselho,
Teria amigos,
Mesmo que restasse,
Seria um só,
Mas amigo.
Certo seria feliz,
Seria lágrima,
Que escorre lenta e sal,
No rosto da mulher,
Moça, menina,
Limpando o grume da dor.
Ah...
Seria bom,
seria seu,
Seria todo e inteiro,
Meu
Som que entra,
E lá fica
Quietinho,
Cantando.
Doce, leve doce,
Seria beijo,
Marcado no meu ser,
Ligado sem ter,
Nenhum louco-amor,
Unido em ti.
...
Não,
Talvez não.
A vida não é um soneto,
Brinca quem pode,
Perde quem se excede,
Seria ponto,
Que encerra a canção,
Fura-coração.
Seria estrada,
Mergulhada no sem rumo,
Na encruzilhada da manhã,
Sentado no banco,
Olhando pombos.
Seria flor,
Aberto ao cerne da sina,
Na vil esperança,
De ser arvore,
Eterna na eternidade de Deus.
Seria tão bom,
...
Que feliz eu fosse,
Em simples ser,
Eu.
...
Não seria angustia,
Não seria fome,
a morte do zero das almas,
Perdão dos massacrados,
Que na busca,
Seriam,
São,
Borrões.
Se fosse pluma,
Viajar em vias incertas,
Sem maldades criar,
Sem de problemas sair,
Único,
Plume-AR.
Tanto quanto bom,
Seria ganso,
E não perderia jamais,
O senso da vida,
E na hora certa,
Seguiria pro céu,
Pro céu.
E melhor mais fosse,
Seria dog,
Confiaria no meu bom,
Velho conselho,
Teria amigos,
Mesmo que restasse,
Seria um só,
Mas amigo.
Certo seria feliz,
Seria lágrima,
Que escorre lenta e sal,
No rosto da mulher,
Moça, menina,
Limpando o grume da dor.
Ah...
Seria bom,
seria seu,
Seria todo e inteiro,
Meu
Som que entra,
E lá fica
Quietinho,
Cantando.
Doce, leve doce,
Seria beijo,
Marcado no meu ser,
Ligado sem ter,
Nenhum louco-amor,
Unido em ti.
...
Não,
Talvez não.
A vida não é um soneto,
Brinca quem pode,
Perde quem se excede,
Seria ponto,
Que encerra a canção,
Fura-coração.
Seria estrada,
Mergulhada no sem rumo,
Na encruzilhada da manhã,
Sentado no banco,
Olhando pombos.
Seria flor,
Aberto ao cerne da sina,
Na vil esperança,
De ser arvore,
Eterna na eternidade de Deus.
Seria tão bom,
...
Que feliz eu fosse,
Em simples ser,
Eu.
...
Não seria angustia,
Não seria fome,
a morte do zero das almas,
Perdão dos massacrados,
Que na busca,
Seriam,
São,
Borrões.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Perdido
Ninguém sabe o paradeiro,
daquele jovem desbotado,
que um dia já sonhou,
num mundo dele,
inteiro dele.
Como sofre a brisa,
lambendo galhos ocos,
sem vida,
taciturnos e negros,
grandes pestanas apavoradas.
Liras e canhões,
flores e sermões,
de que adiantam,
se cego ele vê,
trovas escancaradas.
Um tom?
Só som?
Seria dom?
Caindo em sua avareza,
ele vai
ele vai,
se perder.
Não olhe,
não veja,
não sussurros?
Sim... Aplausos.
Uma carência eloquente,
que salivante exaspera,
maravilhas de um reino tão...
tão...
tão...
abastado.
Mendicante lhe resta ficar,
ouro, prata e vitória.
Riso, claro! Memória.
Sim
Ele vai se perder.
Vitor Araújo
daquele jovem desbotado,
que um dia já sonhou,
num mundo dele,
inteiro dele.
Como sofre a brisa,
lambendo galhos ocos,
sem vida,
taciturnos e negros,
grandes pestanas apavoradas.
Liras e canhões,
flores e sermões,
de que adiantam,
se cego ele vê,
trovas escancaradas.
Um tom?
Só som?
Seria dom?
Caindo em sua avareza,
ele vai
ele vai,
se perder.
Não olhe,
não veja,
não sussurros?
Sim... Aplausos.
Uma carência eloquente,
que salivante exaspera,
maravilhas de um reino tão...
tão...
tão...
abastado.
Mendicante lhe resta ficar,
ouro, prata e vitória.
Riso, claro! Memória.
Sim
Ele vai se perder.
Vitor Araújo
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